domingo, 4 de setembro de 2011

Madura

Esse é meu tempo de madurar
Não de ficar mais doce
mas sim de apurar sabores
Eis que entro em plena safra
frutada, sumarenta, perfumada
de mim mesma...........................................

domingo, 28 de agosto de 2011

Convite

Que tal bater um papo gostoso, regado a um bom café?
Convido meus leitores e amigos para essa conversa franca sobre a chegada à maturidade com suas dores, alegrias, casos engraçados e observações pessoais.
Vamos falar sobre sentimentos? Vamos expô-los e dividi-los?
Quem sabe assim, o fardo se torna menor?
A entrada é franca e o convite é extensivo também aos cavalheiros interessados em saber mais sobre esta fase "interessante" das mulheres.
Vai ser divertido passar umas horas conversando com vocês.
Convite feito, aguardo todos no Gut Café, na Av. Sete de Setembro, às 19 hs, Jardim Icaraí, dia 01/09, quinta feira.
Até lá!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Amor...



Definição do Amor - Lope de Vega

Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso,
áspero, terno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, defunto, vivo,
leal, traidor, covarde, valoroso;

não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
enfadado, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, receoso;

furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno qual licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;

acreditar que o céu no inferno cabe,
doar sua vida e alma a um desengano,
isto é amor, quem o provou bem sabe.


Fiquei encantada por este poema de Lope de Vega e achei que essa definição de amor cabe em muitos tipos de amar...




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sonhos

Gostava de sonhar de olhos abertos antes de dormir.
Todas as noites, ao se deitar, fechava os olhos e ficava pensando em coisas das quais gostava...pescava lembranças de quando era criança, da avó, de certas canções de ninar, de leite com chocolate, pedaços pequenos, quadradinhos que mal flutuavam e já se afundavam no líquido branco e denso, fumegando nas noites frias, tornando-o marrom e espesso...Ou do leite com canela, fervente, preparado pela mãe, quando estava resfriada...
Mal fechava os olhos, imaginava-se em lugares distantes. Países, castelos, jardins encantados, pássaros falantes a lhe indicar o caminho. Nos seus sonhos, tudo eram possibilidades, tudo era permitido...
Dormia e sonhava. E sonhava acordada.
Lembrava-se de quando tinha 10 anos e das coisas que mais gostava... Bisbilhotar as portas abertas da vizinhança. Ou de olhar pelas janelas quando passava em frente às casas à caminho da escola. Imaginava a vida lá dentro. Imaginava outras vidas. Imagens. Imaginação.
Hoje, sonhava com noites de autógrafo em livrarias renomadas. Fechava os olhos e se via, assinando, autografando, enquanto a fila, enorme, se estendia diante da mesa com livros ao fundo...E ela, lá, sentada, sorrindo feliz diante dos fãs, com seu livro nas mãos.
Sonhava com caminhos, com trilhas, com ruas onde pudesse caminhar sem medo...Uma cidade na Itália, uma ruela em Roma ou talvez uma ladeira em Sintra? Sentar em frente ao Tejo e olhar o horizonte, satisfeita por ter chegado até ali, por mérito próprio, graças ao seu talento, ao único talento verdadeiramente seu...a escrita...Sem dever nada a ninguém...
Fechou os olhos antes de dormir e sonhou com o possível...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Atravessemos...

Atravesso.
Parece perto...logo ali
Estico os braços
Abro as mãos
Quase toco.
Sigo.
Ainda não foi dessa vez...
A luz me aguarda
O sol me espera
Tento dirigir meu olhar
Ouso não olhar para trás
Nem desanimar com as nuvens escuras
Procuro a claridade
Procuro um sinal
Olho o reflexo de mim mesma
Na poça do chão
Continuo.
Ainda não foi
Mas em breve
Será...
Atravessemos...
*

terça-feira, 5 de julho de 2011

Redoma

Às vezes é preciso coragem pra sair
Outras vezes
é preciso mais coragem
 pra ficar
A redoma me protege
ou eu protejo a mim mesma?
A luz aqui de dentro
não me permite olhar estrelas
e, no entanto
elas me vêem
formiga iluminada
sentada ensimesmada
tentando alcançar o que
não vê.

Re doma
Me doma
me segura
me detém
Ou serei eu mesma
a senhora
dona do meu destino
a que não quer
ser dona de nada
e apenas
ser uma formiga
ensimesmada
a sonhar
enquanto vigia
o céu?
Vigília
Estrelas tomam conta de mim
E eu, cega
brinco de me esconder
de mim mesma
Re doma
Me doma
Mil vezes domada
e ainda assim
selvagem
louca
tentando ser eu mesma
mais uma
no firmamento
a brilhar...................

terça-feira, 21 de junho de 2011

Na Esquina do Tempo Ganha o Mundo!

Estou muito feliz e queria dividir com vocês! Meu livro está rodando o Brasil. Já foi vendido do Oiapoque ao Chuí e também vai ganhando o mundo!
Está no Japão, na Áustria, em Portugal, na Itália, na Alemanha, na França...Amigos que têm comprado e dado de presente, muita gente mesmo me dando um retorno muito bacana, dizendo que adorou, que leu e releu, presenteando amigas!
Em breve, sai o meu romance que está quase no final...Obrigada a todos que têm me ajudado na divulgação e no incentivo.
Grande beijo!

domingo, 5 de junho de 2011

Meus Cães, Anjos que me Guardam...

Chicão ou João Francisco

Chiquinha ou Maria Francisca

Cléo, a mãe dos dois

Meus três sheepdogs são as coisas mais lindas, companheiras e amorosas do mundo. Meus anjos, zelando e velando por mim...Aonde eu estou, eles estão. Se fico doente, não saem do meu lado. Se escrevo, ficam deitados, no chão do escritório, o dia todo.
No máximo, vão até à varanda ver as modas, latir para os outros cachorros ou para alguém que passe...
São meus amigos mais fiéis e leais. Me amam incondicionalmente...no dia em que os perder nem sei o que farei da minha vida.
Tem gente que não entende esse amor desmesurado de alguns humanos por seus cães. Só quem tem cães dentro de casa, entende esse amor de que falo.
Eu me divirto com eles, eles falam comigo e entendem tudo o que eu digo. Fazem-me companhia nessa minha vida solitária de escritora. E eu adoro essa solidão. Sinto falta dela, nos finais de semana, quando tem sempre gente entrando e saindo.
Eles me entendem mais do que qualquer ser humano, até mesmo meus filhos. Quando choro, se achegam para perto, quando estou muito triste, seu olhar fica triste também...são pára raios das minhas emoções...sabem tudo, sentem tudo...Captam perigos, sons, ameaças.
Eu os amo, como talvez ame bem poucas pessoas nessa vida. Pena que a vida dos cães é tão curta, deveriam durar tanto quanto seus donos, assim nem uns nem outros sofreriam quando chegasse a hora da perda.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Se Fernando Pessoa Pode...


Ando ouvindo e vendo cada coisa ultimamente que faria Fernando Pessoa e todos os seus heterônimos levantarem da tumba.
Em tempos de sinais trocados como esses que estamos vivendo, todo mundo resolveu que pode ser escritor.
Uma overdose de blogs, sites, editoras anãs, editoras caça níqueis pululam na internet. Quase se jogam no colo das pessoas, convidando-as a se lançarem como escritoras: "Publique seu livro" ou "Seja você também um escritor". Tenho visto enxurradas disto, todos os dias.
Outro dia uma conhecida me disse que também está escrevendo. Tudo bem, qualquer pessoa pode escrever o que quiser e fazer o que quiser com seus escritos. Mas ninguém pode dizer o que ela me disse:
- "Se a Martha Medeiros pode, eu também posso!"
Como é que é? Me deu vontade de perguntar. Mas, me contive e respondi:
- Não é bem assim, não é mesmo? Escrever requer outras coisas...
E ela:
-"Resolvi escrever depois que li um texto seu. Aí, resolvi escrever crônicas e contos sobre as coisas que acontecem comigo."
Uau! Tem gente sem noção nesse mundo, pensei. Não sei como ela escreve, de repente até escreve bem, não quero julgá-la antes de saber...Mas, o modo de pensar é que me surpreendeu. Achar que escrever é simples e qualquer um pode fazê-lo bem.
Andando pelos blogs tenho visto pessoas com visíveis pretensões literárias. Ok, vocês me dirão. Hoje em dia qualquer um pode ser publicado depois que surgiram as editoras que fazem sob demanda ou quando se paga para ser publicado. E, convenhamos, isto há aos montes. O problema é as pessoas acreditarem que são escritoras quando não são.
Fico triste quando vejo essas coisas. Tanta gente boa por aí, sem chance alguma porque não tem QI ou padrinho. Tanta gente que escreve bem demais e não consegue lançar um livrinho que seja ou porque não tem grana ou porque não sabe como chegar lá, ou seja pelo motivo que for. Falta de coragem, falta de perseverança, falta de oportunidade...
Enquanto isto, pencas de porcarias são lançadas pelo mercado editorial todas as semanas. E vendem.
Livros sobre adolescentes vampiros. Sobre adolescentes anjos. Livros de auto ajuda. Livros de apresentadores. Livros sobre religião. Outro dia eu soube que até uma ex BBB, burra feito uma anta ia lançar um livro. E vende.
Que país é esse? Eu me pergunto. 
E eu mesma respondo:
Um país onde o adequado ocupa o lugar do certo.
Ah! Se Fernando Pessoa pode...Putaquilamerda!

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Sonho do Celta - Uma Opinião

Ganhei este livro de meu filho, a meu pedido, no Dia das Mães. Andava louca para ler alguma coisa do Vargas Llosa, algo que ainda não tinha feito.
Decepção.
O livro é um calhamaço de fatos históricos narrados sem paixão ou poesia.
Adoro romances históricos, mas este não me seduziu. Peguei-me muitas e muitas vezes com a imaginação voando para outros lugares e tinha que voltar atrás para ler: Sinal de que o livro não me prendeu.
A estória do irlandês Roger Casement é fascinante. Cônsul inglês na África e na Amazônia peruana e brasileiras, viu de perto as atrocidades que o colonialismo europeu cometeu nos países colonizados, dizimando populações indígenas e africanas, torturando, estuprando e matando em nome de uma suposta evangelização e aculturação dos povos considerados selvagens. Esta parte do livro é interessante, pois para quem não conhece ou nunca viu nada sobre o assunto pode ser esclarecedor ver a que preço os países europeus fizeram e mantiveram sua riqueza e exploraram as colônias sob seu tacão destruidor. Eu já sabia de algumas coisas a este respeito, então, para mim, pouco foi novidade, mas mesmo assim não deixou de ser interessante.
A meu ver, a parte aborrecida do livro, com nomes e datas em demasia, em detrimento de um olhar mais humano e poético sobre o personagem, é a luta de Roger Casement pela libertação da Irlanda. Motivo pelo qual, aliás, foi considerado traidor da Inglaterra por ter se aliado aos alemães e, por este motivo, condenado à morte por enforcamento.
Penso que de tudo se tira algum aprendizado e que nenhuma leitura é em vão.
Mas confesso que depois deste não me sinto atraída para ler mais nada de Vargas Llosa...posso estar enganada, mas me decepcionei com o Nobel de Literatura.